Mãe de 3
Cenário: quarentena suavizada, aula de natação em academia aberta. Estamos ao lado da piscina, numa pequena área protegida do sol escaldante da capital, aguardando o início da aula.
A mãe chega com 3, mas um não parece que vai fazer aula. Meio atrasada, meio correndo, ela segue determinada para o banco ao meu lado. As crianças tentam acompanhar. Cada criança traz uns 3 brinquedos, a mãe vem cheia de sacolas. Nem de longe essa da imagem, duvido que exista uma que capture bem a cena. Ela arma uma toalha de piquenique no chão, espalha os brinquedos e os lanches. Coisa de 2 minutos no máximo. Acho que vi até uma tarefa escolar. Eu olho admirada a sua desenvoltura, eu que me perco e me atraso para arrumar a nossa singela sacola.
Será que ela viu que estou olhando? Que nada, ela segue concentrada ali no seu mundo.
Uma menina segue para a aula, é da turma da Cecília. A outra aguarda na toalha o próximo horário. Aí entendi a necessidade dos brinquedos. Eles vão ficar ali por mais de 1 hora.
A menina chama a mãe, a mãe avisa que está em reunião pelo celular. Que punk, pensei, tem minha sororidade. O terceiro reclama que não tem iogurte para todos, a mãe com honestidade responde que era o que tinha em casa. E seguiu-se assim quase a meia hora inteira, cada hora um filho, às vezes ambos, reclamando atenção.
Depois não sei, saímos ao fim da aula da Cecília. Mas há de ter sido a reunião mais improdutiva da vida dela.
Ou só mais uma, ou a melhor delas, jamais duvidaria da sua capacidade, tenho evidências de que ela é muito capaz...
Ê vida de mãe!
Obs. 1: Texto escrito em 2021, talvez? Cecília tinha 3 anos, Alice era bebezinha. Parei nas duas, mas hoje sei que essa mãe que me impressionou tanto naquele dia é só mais uma. Não estou diminuindo o esforço dela, longe de mim isso, continuo muito fã. Mas é que todas nós, em algum grau, fazemos algo hercúleo similar. Não é questão nem de querer, nem de competência - é necessidade mesmo. Na quarentena então...
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